Reflexão sobre ESG no Contexto de Rotary Clubes

Reflexão sobre ESG no Contexto de Rotary Clubes
Reflexão sobre ESG no Contexto de Rotary Clubes

Reflexão sobre ESG no Contexto de Rotary Clubes

Estamos atravessando uma fase bastante complexa, um mundo extremamente dividido. Essa divisão não é exclusiva do Brasil, mas uma questão global. Por isso, acredito que seja importante iniciarmos uma reflexão sobre como podemos contribuir para mudanças efetivas, especialmente no contexto brasileiro.

No Brasil, o cenário relacionado às ONGs é peculiar. Temos mais de 800 mil ONGs registradas, mas apenas 4,2% da população brasileira participa ativamente em movimentos de voluntariado. Isso equivale a uma média de apenas 11 pessoas engajadas por ONG. Esse dado nos leva a uma importante reflexão: como superar esse cenário?

Gostaria de abordar esse tema explorando o conceito de ESG (Environmental, Social, and Governance), que pode ser uma poderosa ferramenta para potencializar o impacto das organizações não governamentais e inspirar mais pessoas a se engajarem.

O que é ESG?

ESG é uma abordagem estratégica que conecta três dimensões fundamentais: ambiental, social e governança. Quando aplicado, transforma desafios em oportunidades e fortalece as organizações, ampliando o impacto positivo que todos buscamos.

Trata-se de uma abordagem que pode e deve ser aplicada tanto por grandes corporações quanto por organizações do terceiro setor.

Pilar Ambiental (E - Environmental)

Este pilar foca em práticas que buscam reduzir o impacto ambiental. Isso inclui:

  • Uso responsável dos recursos naturais;
  • Iniciativas como reflorestamento, reciclagem e redução de emissões de carbono;
  • Alinhamento das atividades com práticas sustentáveis, demonstrando comprometimento com a preservação ambiental.

No caso das ONGs, isso pode significar ações voltadas à proteção ambiental em comunidades vulneráveis.

Pilar Social (S - Social)

O pilar social refere-se às pessoas. Ele envolve:

  • Inclusão e diversidade;
  • Saúde, segurança e qualidade de vida;
  • Impacto direto nas comunidades em que a organização atua.

Por exemplo, ações para melhorar a educação, saúde e igualdade de oportunidades são fundamentais para o impacto social.

Pilar de Governança (G - Governance)

A governança é o alicerce que sustenta os outros dois pilares. Trata-se de:

  • Transparência;
  • Prestação de contas;
  • Ética nos processos internos e externos.

Governança eficaz ajuda a ganhar credibilidade e confiança, elementos cruciais para atrair voluntários e patrocinadores.

 

A Importância de ESG para as ONGs

O ESG não deve ser visto como algo distante. Pelo contrário, pode ser incorporado nas decisões diárias e no planejamento estratégico das ONGs. A adoção de práticas ESG tem o potencial de:

  • Atrair voluntários engajados;
  • Conquistar patrocinadores confiáveis;
  • Gerar um impacto real e duradouro na sociedade.

É fundamental compreender que o ESG não se limita a questões ambientais. Ele é uma estratégia integrada que conecta causas sociais, ambientais e de governança, potencializando o trabalho do terceiro setor.

 

Exemplo Prático de ESG

Gostaria de compartilhar uma experiência que tivemos em um projeto chamado "Rastro Verde". Ele consistiu em:

  1. Realizar palestras em escolas sobre sustentabilidade e materiais biodegradáveis.
  2. Promover o plantio de árvores junto com os alunos.
  3. Engajar a comunidade na continuidade do cuidado com as árvores.

Os resultados foram impressionantes: os alunos se tornaram mais conscientes e passaram a cuidar das árvores mesmo durante as férias escolares. Isso é ESG em prática – uma união de educação, impacto ambiental e engajamento comunitário.

 

Implementação de ESG nas ONGs

Implementar ESG pode parecer desafiador, mas é um processo acessível quando dividido em etapas práticas:

  1. Avaliação de Impacto: Identifique como suas atividades afetam o meio ambiente e a comunidade. Por exemplo, em eventos, meça os resíduos gerados e busque alternativas sustentáveis.
  2. Estruturação Interna: Garanta transparência na gestão dos recursos financeiros, com relatórios detalhados e acessíveis.
  3. Uso de Tecnologia: Ferramentas como inteligência artificial e blockchain podem otimizar processos, aumentar a eficiência e gerar mais impacto.
  4. Engajamento Comunitário: Realize ações que envolvam diretamente a comunidade local, como oficinas e eventos participativos.

 

Conclusão

Adotar ESG é mais do que uma escolha estratégica; é uma necessidade no cenário atual. Ele oferece às ONGs uma oportunidade de ampliar seu impacto, atrair mais voluntários e patrocinadores, e, acima de tudo, transformar a sociedade de maneira significativa.

A mudança começa conosco. Vamos usar o ESG como um norte para construir um futuro mais sustentável, justo e humano.

Muito obrigado pela oportunidade de compartilhar essas reflexões. Contem comigo nessa jornada de transformação. Juntos, podemos fazer a diferença.

Renato Rezende Egea

Governador 2024/2025

 

 

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