O Erro Invisível: Quando um Clube Rotário se Torna um Prédio Sem Colunas
O Erro Invisível: Quando um Clube Rotário se Torna um Prédio Sem Colunas
Há algo que ninguém te conta quando você assume a presidência de um Rotary Club.
Algo que não está nos manuais, nem nos discursos inspiradores das conferências.
Algo que não se vê nas fotos dos projetos ou nas postagens de redes sociais.
Mas que, silenciosamente, pode corroer a alma de um clube.
É o erro de achar que servir é suficiente, mesmo quando se serve de forma incompleta.
É o erro de ignorar as cinco Avenidas de Serviços, como se fossem opções em vez de fundamentos.
Imagine um prédio de cinco colunas. Cada uma representa uma das Avenidas:
Serviços Internos, que sustentam o espírito de companheirismo.
Serviços Profissionais, que dão integridade à nossa identidade.
Serviços à Comunidade, que nos conectam às dores reais das pessoas.
Serviços Internacionais, que nos lembram de que fazemos parte de algo maior.
E Serviços à Juventude, que plantam sementes para o futuro.
Agora imagine tentar manter esse prédio em pé com apenas duas dessas colunas.
Ou três. Ou, às vezes, apenas uma.
O que acontece? Ele até pode se manter por um tempo. Mas está instável. Frágil. Incompleto.
E, um dia, inevitavelmente, desaba.
Muitos clubes vivem esse cenário.
Projetos incríveis na comunidade… mas um companheirismo morno e sem alma.
Iniciativas brilhantes com jovens… mas sem nenhuma conexão com a ética profissional.
Eventos internacionais… mas sem base, sem raízes, sem continuidade.
A verdade é dura, mas precisa ser dita: não basta fazer algo bom. É preciso fazer o certo.
E o certo, no Rotary, é trabalhar de forma equilibrada e estratégica cada uma das suas Avenidas de Serviço.
É alinhar-se ao verdadeiro Objetivo do Rotary, que vai muito além de doar cestas básicas ou realizar eventos festivos.
É desenvolver o companheirismo como uma ponte para o servir.
É valorizar toda ocupação útil como semente de transformação.
É viver de forma exemplar — não apenas em público, mas na vida privada.
É buscar a paz, não como conceito abstrato, mas como atitude prática entre nações, vizinhos e gerações.
E tudo isso passa pelo filtro de nossa bússola ética:
A Prova Quádrupla.
É verdade?
É justo?
Cria boa vontade?
É benéfico para todos os envolvidos?
Responder "sim" a essas perguntas exige mais do que boas intenções.
Exige visão, planejamento e coragem para não cair na armadilha do ativismo vazio —
aquele que se agita, mas não transforma.
Se você é líder, atual ou futuro, pergunte-se com honestidade:
Meu clube está apoiado sobre as cinco colunas?
Estamos servindo com profundidade… ou apenas nos mantendo ocupados?
Porque Rotary não é uma ONG qualquer.
É um movimento global que muda o mundo quando se lembra de ser inteiro.
E um clube só é forte de verdade quando honra todas as suas Avenidas.
Por Renato Rezende Egea
Governador 2024-2025






